domingo, 6 de setembro de 2015

Santa Cruz do Rio Pardo - nos tempos dos coronéis e mandatários



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ESTUDO EM ATUALIZAÇÃO
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Direitos autorais

DOS DIREITOS AUTORAIS

'Santa Cruz do Rio Pardo - nos tempos dos coronéis e mandatários'

Autores Celso Prado e Junko Sato Prado - SatoPrado, difusão via internet 2015-06/09, 

Originais 'Santa Cruz do Rio Pardo - Memórias, documentos e referências'  - capítulo extraído

(ISBN - 137695590858382500), 

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Prado - Celso; Sato Prado - Junko

Santa Cruz do Rio Pardo - nos tempos dos coronéis e mandatários

Celso Prado e Junko Sato Prado – Santa Cruz do Rio Pardo, SP

Autores, 2015

150 p. 14,8 X 21 cm

I – Prado, Celso

II – Sato Prado, Junko

III – Título

CDD:

2015-06/09

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Atualização 2017-17/03 - edição revista, corrigida e modificada


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Índice de postagens

Índice

 a editar

Tiroteio em frente à Camara

Tiroteio em frente à Câmara Municipal, aos 29 de abril de 1922*

"Antonio Evangelista da Silva, presidente do directorio situacionista, á porta da casa da eleição, com mais de cincoenta capangas, impede a entrada dos eleitores do partido municipal, a tiros de revolver, havendo varios mortos e feridos." (Correio Paulistano, edição de 30/04/1922: 4, ambas as citações).
Do entrevero, contados os mortos, 
Antonio Andrade, João Cunha e João Paula Garcia, conforme sequência de fotos abaixo; e os feridos Chrystalino Rodrigues da Silva, Aristides Rodrigues da Silva, Armando Alves Lara, Manoel Claudino de Oliveira e Arlindo de Castro Carvalho. 



Os três mortos foram sepultados no Cemitério Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo


Jornais da época prestaram outras informações sobre os acontecimentos:
"Já foi concedida a prisão preventiva de Evaristo Ferreira Sousa, autor da morte de Antonio Andrade; de João Fleury, autor da morte de João Paulo Garcia; de Aristides Rodrigues Silva e João Machado Silva, autores da morte de João Cunha; e de Cyrillo Antonio Rocha, autor dos ferimentos graves em Armando Alves Lara. Foi negada a prisão preventiva de Antonio Evangelista da Silva, Durvalino Oliveira Silva e Gustavo Antonio Silva, continuando o inquerito regulamentar." (Correio Paulistano, 07/05/1922: 3). 
Também foram presos: Rachid de Queiroz, José Rachid de Queiroz, Gustavo Antonio da Silva, Chrystalino Rodrigues da Silva e Arlindo de Castro Carvalho.
Outros nomes seriam acrescidos ao rol de acusados, todos julgados e absolvidos aos 10 de outubro de 1925, com apelação para o Supremo Tribunal, com provimento do recurso e novo julgamento ocorrido em 24/25 de novembro de 1927, os réus absolvidos no crime comum, porém condenados por crime político, onde Evaristo Ferreira de Souza, Chrystalino Rodrigues da Silva, Rachid Queiroz, João Fleury, João Machado e Aristides Rodrigues da Silva, receberam pena de quatro anos de prisão, cada um, e Arlindo de Castro Carvalho, Gustavo Antonio da Silva e José Rachid Queiroz, penalizados em dois anos e seis meses de reclusão. 
Nova apelação, agora dos condenados, e outro julgamento, com absolvição definitiva aos 21 de julho de 1927 (Diario Nacional, São Paulo, 25 e 26/11/1927, páginas 8 e 2, respectivamente).

*Todas as fotos apresentadas nesta página são de domínio público. Os autores obtiveram cópias junto a Biblioteca da Escola Leônidas do Amaral Vieira - Santa Cruz do Rio Pardo.

Preliminares - política e partidos políticos

PÁGINA EM ATUALIZAÇÃO
1. A Vila de Santa Cruz do Rio Pardo
Vila de Santa Cruz do Rio Pardo, 1902, vista do Bairro da Estação
Acervo - Edwlin Luiz Brondi de Carvalho
Santa Cruz, bairro rural identificado em 1857 pela Igreja Católica, num batizado, teve sua origem oficial em 1862, como Capela, apontada nas Cartas do Padre João Domingos Figueira, e em novembro daquele mesmo ano citada num documento civil expedido pela Câmara Municipal de Botucatu, e outro eclesial por ocasião do primeiro batizado (SatoPrado, Santa Cruz do Rio Pardo - a história referenciada).
A condição de Capela reconhecia Santa Cruz como a menor unidade administrativa civil e eclesiástica dentro de uma freguesia, no caso, São Domingos.
Somente com a chegada do fazendeiro e capitalista Joaquim Manoel de Andrade, o principal agente transformador do lugarejo, Santa Cruz se despontou como próspera comunidade: "Os ranchos desde então foram esquecidos e, podemos affirmar, Santa Cruz do Rio Pardo nasceu em 1872, sendo desde então rapido o seu progresso e admiravel os melhoramentos que tem recebido." (Almanach da Provincia de São Paulo, 1887: 542).
Segundo tal narrativa, a Santa Cruz de 1872 deixava a condição de Capela para transformar-se em Freguesia, sinônimo de progresso, sob os auspícios de Joaquim Manoel de Andrade, o mais rico e influente nome no lugar, num esforço conjunto com o Deputado Coronel Emygdio José da Piedade que resolvera se afazendar no lugar.
Numa hábil manobra política, ou estranho equívoco histórico-geográfico, o que era para ser a elevação de São Pedro do Turvo à condição de Freguesia, constou "Em vez de São Pedro, ficando Santa Cruz do Rio Pardo" (ALESP, EE 72.15: 2), correção não observada e então publicada a Lei Provincial nº 71, de 20 de abril de 1872, em seu artigo 1º: "Fica elevada a Capella do S. Pedro no Municipio dos Lençóes a Freguezia, com a invocação de Santa Cruz do Rio Pardo." 
Aos 13 de janeiro de 1873, com a presença do Bispo Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Santa Cruz foi elevada a Vigararia pela Carta de Provisão Eclesiástica, confirmando o ato da Lei nº 71, vigorando as mesmas divisas que lhe foram dadas pelo poder civil. O Padre João Domingos Figueira, na ocasião, foi confirmado o primeiro vigário santacruzense (ALESP, CO.731.1.).
Joaquim Manoel de Andrade e o Deputado Coronel Emygdio José da Piedade aos 03 de fevereiro de 1876 conseguiram da Assembleia Provincial São Paulo a aprovação e elevação de Santa Cruz do Rio Pardo a Vila (ALESP, PR 76.6.3), assim por ela decretada e depois sancionada pelo Governo Provincial de São Paulo através da Lei nº 06, de 24 de fevereiro de 1876.
Com a qualificação de Vila, Santa Cruz se tornou sede de território definido, como município, com direitos em possuir Câmara Municipal, Juizado de Paz, Delegacia e Cadeia, além do Foro Civil e Conselho de Jurados, símbolos de emancipação político-administrativa, com jurisdição sobre freguesias e bairros que lhe fossem agregados, devendo cobrar impostos e baixar 'Código de Posturas', ou seja, coleção de leis aplicáveis.
  • Na situação de vila Santa Cruz obteve da Igreja, em 1877, a classificação de Comarca Eclesiástica de todo o sertão entre os extremos de São Domingos e Espírito Santo do Turvo com Fartura e Piraju, no Paranapanema, rumo a Conceição de Monte Alegre (Cúria Diocesana de Ourinhos - mapa).
Alguns argumentos foram favoráveis à emancipação político-administrativa: população crescente, a expansão sertaneja com surgimento de novos povoados, as condições econômicas favoráveis com agropecuária forte e a significativa criação de suínos.
A administração da vila, conforme legislação, seria exercida pela Câmara de Vereadores, com mandato de quatro anos, e elegíveis e votantes todos os cidadãos, alfabetizados ou não, residentes no município nos dois anos anteriores aos pleitos, desde que contassem renda anual igual ou superior a 200 mil réis. Caso o eleitor ou postulante a cargo eletivo fosse acatólico ou estrangeiro naturalizado, então necessitava de alfabetização, além da renda exigida.
O território urbano santacruzense pertencia aos patrimônios da Santa Cruz e do Santo Antonio, portanto à Igreja, e seria doravante administrado pela Câmara, mantendo-se os aforamentos e reservados os direitos sobre o cemitério, exclusivamente católico.
A passagem de Freguesia à Vila consolidou-se através das eleições de 1876, para a Câmara e Juizado de Paz, mandatos 1877/1880. 
2. Estruturas político-partidárias no século XIX 
Charge representativa do controle político imperial
http://mestresdahistoria.blogspot.com.br/2014/02/
a-politica-no-segundo-reinado.html
Ainda em 2005 se imaginava Santa Cruz constituída vila, consequentemente município, firmada no ideário do líder Joaquim Manoel de Andrade, "o patriarcha de nossa localidade pelo muito que ella lhe deve" e "venerando ancião" (Correio Paulistano, 10/04/1884: 1-2), político conservador. 
Na condição de Vila, Santa Cruz obteve o direito em escolher seus representantes pelo voto, assim noticiado pelo hebdomadário Correio do Sertão (1902: 19/07/1902: 2-3), um quarto de século depois, numa publicação sobre as origens do lugar, sem mencionar quaisquer indícios de disputas partidárias. 
Não significou assim. A primeira eleição municipal transcorreu num clima de ameaças e violências, necessitando o governo provincial enviar tropa para garantir a segurança dos pleitos, e a volante terminou detida por ordem e ação do Delegado de Polícia local em exercício (RG, U 1127, 1877/1878: 50). 
Os partidos Conservador e Liberal rivalizaram-se, o primeiro chefiado por Joaquim Manoel de Andrade, vinculado ao Deputado Emygdio José da Piedade, e o seguinte por Joaquim José Botelho, sob as ordens do Coronel Francisco Dias Baptista, o truculento 'santa-barbarense' chefe político da Comarca de Lençóis Paulista, inclusa Santa Cruz do Rio Pardo. 
Os partidos disputantes diferenciavam-se. O Conservador a defender o poder centrado na autoridade do Imperador, com relativa autonomia provincial, enquanto o Liberal a identificar-se com parlamento forte e autonomia provincial ampliada.
As diferenças, no entanto, não eram problemas quando em jogo interesses comuns, sendo ambos escravagistas e do patriciado, isto é, dos capitalistas e dos proprietários de bens identificados nas terras e escravos, com predomínio conservador no funcionalismo público, ao passo que os liberais atraíam comerciantes e autônomos. Os votos eram 'encabrestados', para a garantia de resultados aos candidatos apoiados.
O Partido Republicano Paulista – PRP, já realidade provincial em 1873, não tinha filiados em Santa Cruz do Rio Pardo quando das primeiras eleições municipais; e o Partido Católico somente surgiria no final do século, com o 'Brasil República'.
2.1. Partido Conservador
Não se sabe desde quando organizado o Partido Conservador em Santa Cruz, porém bastante conhecida sua participação nos destinos do lugar, desde a ascensão como freguesia, às instalações dos primeiros serviços públicos, sempre através das atuações do deputado provincial Cel. Emygdio José da Piedade.
A elevação santacruzense a vila e município deveu-se ao Partido Conservador, com os empenhos de Joaquim Manoel de Andrade e do Deputado Piedade. A isto garantida a vitória conservadora na primeira eleição municipal, em 1876, a despeito das acusações liberais de fraudes, violências e encabrestamentos de votos. 
  • Em 1880 os conservadores disputaram e perderam as eleições municipais para os liberais. À mesma maneira liberal, em 1876, os conservadores denunciaram fraudes, violências e 'encabrestamento de votos'.
Os conservadores locais tiveram significativas participações nas vitórias do Deputado Provincial Emygdio José da Piedade, e o chefe político Joaquim Manoel de Andrade de contínuo destacava-se o mais votado nas eleições que participara.
O Partido Conservador santacruzense mostrou-se sempre sensível às crises provinciais, exemplificada a dissensão de 1879, quando uma ala se atrelou aos cafeicultores e interesses progressistas, sob a liderança de Antonio da Silva Prado – o Conselheiro, que culminaria com a criação da União Conservadora.
Antonio Prado assumiu a Chefia da União Conservadora em dezembro de 1881, e a ele aderiram os conservadores santacruzenses, num abaixo assinado de 21 de janeiro de 1882 (Correio Paulistano, 24/02/1882: 1).
2.2. Partido Liberal 
A partir de 1870 os liberais conquistaram importância no centro sudoeste paulista, na inicialização cafeeira regional, destacadamente a territorialidade do município e depois comarca de Lençóis Paulista, incluída Santa Cruz. O partido era forte e coeso, cuja premissa residia no fortalecimento das províncias, ou o regime da federalização, considerando injusto o governo central, o que o tornava atrativo, também, aos ideais republicanos. A estrutura liberal supria a ausência local do partido republicano. 
O Partido Liberal na região de Lençóis Paulista, abrangendo Santa Cruz, era extremamente violento no querer e fazer eleitos os seus representantes junto à Província. Com as criações de Câmaras Municipais, ou a emancipação política de regiões agregadas a Lençóis, a exemplos de Agudos, Santa Bárbara e Santa Cruz, o Coronel Francisco Dias Baptista metia medos. 
Em 1876 o Partido apresentava-se em Santa Cruz com mais de meia centena de filiados, portanto representativo e de importância regional nas eleições provinciais e gerais. Seus membros eram influentes na sociedade da época, destacados, Firmino Manoel Roiz¨ [Rodrigues], Francisco Antonio de Souza, Joaquim Francisco da Silva, José da Rocha Campos, Manoel Cândido da Silva, Raphael ou Rafael Silva de Arruda, Vicente Bezerra Machado e Victorino Gouveia Silveira, liderados por Joaquim José Botelho, o seu primeiro 'prestigioso chefe político'
O Partido liberal santacruzense, apesar de fortemente vinculado ao temerário Coronel Francisco Dias Baptista, não desprezava a força regional do Capitão Tito Correa de Mello, fazendeiro, político mandatário botucatuense, situações observadas no pleito provincial de 1879, quando afinados às candidaturas de Correa Mello e do advogado do Termo de Lençóis, Dr. Francisco Martins da Silva, para a Assembleia Provincial, eleições de 1879 (A Constituinte, 01/11/1879: 3).
Alguma dissidência entre os liberais de Santa Cruz ocorrera após as eleições provinciais, afastando-se ou afastado Joaquim José Botelho da chefia partidária local, aparecendo o Delegado de Polícia Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros como principal nome no pleito municipal de 1880. 
Especula-se a queda de Botelho: Santa Cruz manifestava repulsa em relação ao Coronel Dias Baptista, por ser este favorável a Santa Bárbara do Rio Pardo, na disputa de divisas, enquanto Botelho defendia a territorialidade santacruzense.
A truculência de Dias Baptista se manifestou forte em Santa Cruz do Rio Pardo nas eleições municipais de 1880, quando invadiu a Igreja e fez desfilar sua tropa, ostensiva e ameaçadoramente, com armas e bandeiras vermelhas, causando reviravolta política em desfavor dos conservadores e fazer vitorioso o seu partido.
Segundo o Correio Paulistano, os adversários e inimigos políticos dos liberais, e até mesmo companheiros, surpreenderam-se com a apatia política do Coronel Dias Baptista a partir de 1882, no 5º Distrito. Sem herdeiro político regional feito e a ausência de expectativas para Partido Liberal, gradativamente substituído pelo PRP, o temerário Dias Baptista parecia decepcionado, cansado e, talvez, enfermo, a antever o final do próprio poder, vindo a falecer em 1887.
Desde 1882 os mais ilustres nomes liberais da província aderiam ou simpatizavam-se pelo PRP – Partido Republicano Paulista, talvez aí justificada a impassibilidade política do Coronel Dias Baptista.
2.3. Partido Republicano Paulista - PRP
O PRP, ideado em 1872, selou fundação aos 18 de abril de 1873, durante a Convenção Republicana em Itu, SP, com a união entre fazendeiros temerosos dos efeitos da Lei do Ventre Livre, e os intelectuais ou teóricos do Clube Republicano, com forte rejeição ao Império, atraía interesses das classes economicamente fortes e, consequentemente, não era partido popular, portanto ruim de votos espontâneos. 
Em Santa Cruz o Partido não apresentou história imediata, e apenas em 1886 elegeria seu primeiro vereador, o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira. 
Quando do golpe militar de 1889 que derrubou o império e implantou a república, Emygdio José da Piedade, na condição de Presidente do Legislativo santacruzense, declinou o convite para a chefia da nova ordem, e sugeriu que ela fosse assumida por membros republicanos no município. O experiente político não ignorava que os militares golpistas em nada se identificavam com o Partido Republicano, apenas adotaram a sigla.
Apresentou-se então chefe político perrepista o Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, como nova liderança política, porém de difícil relacionamento com os novos republicanos, após o advento da república. Alguns filiados tinham importância social, a exemplos dos graduados da Guarda Nacional, João Baptista Botelho, Moyses Nelly (italiano), Arlindo Crescêncio da Piedade – filho do conservador Emygdio José da Piedade, além de Marcello Gonçalves de Oliveira, então o líder.
Uma primeira crise, conhecida, levou o Coronel Marcello resignar-se da chefia partidária, por sentir-se traído e desprestigiado com o afastamento ou recolhimento de um sargento comandante da força policial local, e a demissão do Promotor Público Joaquim Pereira de Barros, sem sua anuência ou ordem, conforme carta de lavra própria, de 26 de novembro de 1890 (Correio Paulistano, 10/12/1890: 3).
No lugar de Gonçalves de Oliveira assumiu João Baptista Botelho, que viu o partido agigantar-se, com a instalação da Comarca e chegada de ilustres famílias republicanas, a partir de 1891, capitaneadas pelo advogado e político federal, Dr. Antonio José da Costa Junior e seu genro Francisco de Paula de Abreu Sodré. 
Aparentemente a convivência de Botelho com Costa Junior não foi das melhores, e já em 1892 o PRP enfrentava nova crise interna, exigindo mudanças no diretório (Correio Paulistano, 22/12/1892: 2), daí destituídos todos os membros do diretório, João Baptista Botelho, João Evangelista da Silva, Joaquim Fernandes Negrão, Firmino Manoel Rodrigues e Pedro Custódio Guimarães. No lugar dos excluídos reassumiram aqueles ditos republicanos da 'velha guarda', Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, o tenente Luiz de Oliveira Martins, Moyses Nelli e Manoel Garcia de Oliveira.
Havia, portanto, dois grupos perrepistas disputantes entre si, os anteriores ao golpe militar de 1889, liderados pelo Coronel Marcello, fortalecidos desde a presença das famílias Costa/Sodré, e os posteriores ao golpe – 'os adesistas' ou 'nova guarda perrepista', com o então Tenente-coronel Botelho à frente.
A 'nova guarda perrepista' também cativava partidários, e a ela assomou-se o Deputado Estadual Republicano, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, vindo de Silveiras (SP), e que oportunamente se revelaria líder partidário e unificador.
Em 1894 o Coronel Gonçalves de Oliveira estava no Comando Superior da Guarda Nacional, Comarca local (DOU, 04/11/1893: 1), denominado o 'prestigioso chefe político perrepista' (Correio Paulistano, 18/07/1894: 2). 
Com a morte do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, em 1896, João Baptista Botelho voltou à liderança do PRP local, até 1901, quando destituído pelo grupo de Costa Junior/Abreu Sodré. 
Depois viriam outros líderes e novos confrontos.
2.4. Partido Católico
Mapa da Comarca Eclesiástica de Santa Cruz do Rio Pardo
- Cúria Diocesana de Ourinhos -
Partido extemporâneo e sem qualquer importância no contexto político local, que surgiu no ano de 1890, sob a denominação de Partido Católico, juntamente com um Órgão Oficial de Imprensa denominado 'O Cruzeiro'.
Previa-se um partido grande, pelo menos em termo regional, considerando Santa Cruz do Rio Pardo uma grande comarca eclesiástica, além de toda estrutura dada pela Igreja.
Atuou em favor do Partido Católico, em Santa Cruz do Rio Pardo, o Padre Bartholomeu Comenale que, além das atividades eclesiais - como vigário forâneo, também era político - Vereador, Intendente e Presidente da Câmara,
O Partido Católico teve início ou fundação local também aos 20 de julho de 1890, de acordo com um comunicado à sede do Partido na capital paulista:
  • "(...) instalou-se nesta villa o partido catholico, estando presentes mais de trezentos cidadãos, dos quaes mais de duzentos assignaram a acta. Foi lido e aprovado o programma do directorio central da capital federal, e foram eleitos presidente o humilde signatário destas linhas e membros Manoel Garcia de Oliveira, Luiz Antonio Rodrigues, Tiburcio Antunes dos Santos e Firmino Silverio de Andrade." 
  • "Foi deliberado que em tudo dependeriamos desse directorio; pelo que vos peço esclarecimentos e instrucções, para poder bem desempenhar a nossa nobre missão" O Cruzeiro, 31/07/1890: 1; 05/08/1890: 2.
No prestígio do Padre Comenale, o partido sustentou-se em Santa Cruz, embora, aparentemente, não tivesse acompanhado a orientação partidária nacional de 1891 para o apoio a Deodoro, assim a acompanhar a corrente perrepista santacruzense a favor do Floriano Peixoto, opção a mais segura para a sobrevivência republicana, e o Partido Católico aí esgotou-se. 
3. A política santacruzense
A história política santacruzense 'de antigamente' sempre violenta, segundo as tradições, mas não se conhecia desde quando e nem sua extensão, e até pensava-se iniciada em 1901, na disputa eleitoral entre o Coronel Baptista Botelho e a frente Costa Junior/Abreu Sodré que tomou de assalto o poder local, e o líder adversário acabou por tentar suicídio e, dias depois, morrer em consequência do tresloucado gesto. 
Durante o século XX jamais se teve notícias do período político anterior a 1900, senão que a primeira câmara municipal fora eleita em 15 de outubro de 1876, em absoluta tranquilidade sob a liderança única de Joaquim Manoel de Andrade, assim inferível na obra de Rios (2004: Apresentação), firmada no Correio do Sertão (19/07/1902: 2-3).
Somente em 2005 'descoberto' que a primeira eleição municipal fora violenta, com dois grupos políticos rivais, conservador e liberal, digladiando-se pelo poder local, e a autoridade de Joaquim Manoel de Andrade não era absoluta (SatoPrado).

Os coronéis e mandatários santacruzenses - 01

PÁGINA EM ATUALIZAÇÃO
1. Cel. Emygdio José da Piedade
Para o Almanaque da Província de São Paulo, edição de 1888, Santa Cruz do Rio Pardo:
  • "Creado o municipio em 1876, tem desde então para cá prosperado admiravelmente sob a immediata proteção e direção do notavel paulista Exmo. Sr. Coronel Emygdio José da Piedade, illustrado representante deste 5º districto na Assembléa Provincial" (1888: 623). 
Emygdio José Piedade nasceu em Sorocaba (SP), aos 25 de maio de 1832 – Registro de Batismo de 03 de junho do mesmo ano, filho do Major Antonio José da Piedade e de dona Rita Maria da Conceição, casado aos 21 de abril de 1853 com Francisca Emilia Leonel Ferreira ou Ferreira Leonel "dos Leonéis de Itapetininga, era tia do General Ataliba Leonel" (Aloisio de Almeida, 1960: 56), nascida por volta de 1833, em Itapetininga, filha legítimas do Tenente Coronel José Leonel Ferreira e dona Maria Perpétua de Siqueira.
Piedade estudou Teologia Dogmática e Moral, em São Paulo, lecionou Latim (Aloisio de Almeida, 247: 52-56), e foi Serventuário da Justiça em Faxina (Itapeva), renunciando a vitaliciedade em favor do filho Augusto (RG, U 1131, 1882/1883: 16-17).
Filiado ao Partido Conservador se elegeu por sucessivas e alternadas vezes deputado provincial paulista, iniciado na '18ª. Legislatura 1870/1871, 3º Distrito Imperial'. Após a República filiou-se ao Partido Republicano Paulista.
No primeiro mandato parlamentar assumiu a Comissão de Câmaras Municipais, na condição de membro, com importantes realizações para São Sebastião do Tijuco Preto – Piraju, Lavrinhas, Ribeira e São João Batista do Rio Verde – atual Itaporanga, Faxina – hoje Itapeva, além de comprometido com aberturas de escolas, de estradas para diversas povoações em formação, inclusa Santa Cruz, aonde viria fixar residência.
Com destacada participação legislatória, disputou e foi eleito para o mandato 1874/1875, via 3º Distrito Imperial.
Emygdio foi um grande paulista. O estudioso jesuíta Aluísio de Almeida forneceu sua exata dimensão provincial, como o primeiro deputado do centro sudoeste/oeste paulista, com atuações parlamentares para toda a região.
De 1876 a 1880 ocorreu hiato na carreira política do deputado, dedicando-se às atividades particulares e aos cuidados com Santa Cruz, onde passara a residir, trabalhando nos bastidores da Assembleia para melhorias administrativas e conquistas de serviços públicos, além da elevação do lugar à condição de vila e município.
Em 1876 conseguiu a instalação da Agência do Correio local, e nomeado o seu primeiro Agente (Correio Paulistano, 27/09/1877: 1). 
Previstas as eleições municipais para o ano de 1876, Emygdio organizou o Partido Conservador para o embate eleitoral e obteve maioria na Câmara, além da conquista para o Juizado de Paz.
Os seus afazeres públicos de Emygdio em Santa Cruz podem ser acompanhados em diversas publicações oficiais do Governo Provincial e Assembleia Legislativa, além dos jornais paulistanos. Retornou à Assembleia Provincial, legislatura 1882/1883, pelo 5º Distrito que abrangia a região.
Desta disputa escreveria Queiroz Filho: "Em 4-11-1881 (cfr Livro de Atas da Câmara Municipal) disputavam a eleição municipal um Tenente-Coronel (Emigdio José da Piedade), um Capitão (Tito Corrêa de Melo) e um Coronel (Joaquim Leonel Ferreira), tendo vencido o primeiro" (1966: 204 – notas 17).
Com forte rejeição em São Pedro do Turvo, pouco espaço em Campos Novos Paulista, também em Santa Cruz, Emygdio sofreria dura resistência dos liberais comandados pelo Capitão Tito, deputado e chefe político em Botucatu, representado em Santa Cruz por Jacob Antonio Molitor, dissidente conservador, que aspirava o mando político local.
O Deputado Emygdio não pacificou os conservadores rebeldes santacruzenses, com votação aquém do esperado em 1883, valendo-lhe, todavia, o apoio do itapetiningano Manoel Cardoso (Correio Paulistano, 03/10/1883: 3), igualmente válido para a sua reeleição, 25ª Legislatura – 1884/1885, pelo 5º Distrito.
Contando sempre com votos externos, Emygdio prosseguiu vitoriosa carreira política, com interrupção entre 1889 a 1895, para o retorno e, enfim, encerramento político na legislatura 1904/1906.
Residente em Santa Cruz, importante e partícipe membro da sociedade local, Emygdio foi membro da Comissão de Ilustres indicado pela Câmara ao Governo de São Paulo (Ofício de 12/11/1884), para integrar o grupo responsável pelas obras da Igreja Matriz.
Também, nos tempos santacruzenses, Emygdio pertenceu à Guarda Nacional, primeiro como Tenente Coronel do 5º Distrito de Botucatu/Regional, depois Comandante entre 1884/1886, e Coronel Comandante Superior da Guarda Nacional de Botucatu e Lençóis Paulista, pelo Decreto de 20 de outubro de 1888 RG, BN 1033 – 1888/1889: 26). 
Sempre presente ou participante em todos os acontecimentos sociais, religiosos e políticos de Santa Cruz, Emygdio ocupava a presidência da Câmara Municipal em 1889, quando anunciado o Golpe Militar de 1889 que derrubou o Império e instaurou a República. No ato fez o pronunciamento recomendando resignação.
Eleitor em Santa Cruz, conforme alistamento eleitoral de 1890, Emygdio identificava-se negociante, e era residente à Rua do Coronel Piedade – morador mais importante, oficializada posteriormente como Rua Coronel Emygdio José da Piedade. 
Sem espaço político em Santa Cruz, transferiu domicilio para São Paulo, em março de 1891, filiando-se ao PRP, noticiado em vários documentos oficiais como político e agregado à Guarda Nacional, e depois no Comando Superior da mesma, conjuntamente à frente dos paulistas na Revolução Federalista.
No ano de 1896 foi Procurador do Gabinete de Leitura de Faxina (DOSP, 20/02/1896: 2), e eleito Membro da Comissão de Colonização e Imigração para o Estado de São Paulo, na sessão ordinária de 11 de junho de 1896, do Congresso do Estado, pela Câmara dos Deputados (DOSP, 12/06/1896: 7).
Com a queda do Coronel João Baptista Botelho, em 1901, Emygdio manteve-se independente do grupo ascensionário de Costa Junior/Abreu Sodré. 
Abdicado da política desde 1906, Emygdio numa visita a familiares em Espírito Santo do Turvo, faleceu aos 30 de março de 1910, por "síncope cardíaca, aos 79 anos de idade, deixando descendentes" (Cartório de Registo Civil, Espírito Santo do Turvo, Certidão de Óbito nº 37, Livro C-3, fls. 144).
O Coronel Emygdio José da Piedade tinha autorização para ser sepultado, juntamente com a esposa, na Igreja Matriz de Santa Cruz do Rio Pardo – Lei nº 83, de 01/04/1889, no entanto abriu mão dessa concessão, tanto para a esposa – falecida em 1900, quanto para si.
Deixou os seguintes filhos: 
  • Augusto César da Piedade - Coronel, casado com Dona Cândida Macedo da Piedade;
  • Minervina da Piedade, casada com o Coronel João Batista de Oliveira Melo;
  • Acácio da Piedade - Coronel, casado com Dona Leocádia de Mello Piedade, ou Dona Leocádia Bueno Pimentel, conforme também conhecida;
  • Arlindo Crescencio da Piedade - Coronel, casado com Dona Hermínia Romano (falecida aos 23/06/1902), e mais outros dois matrimônios conhecidos;
  • Godofredo José da Piedade, faleceu solteiro;
  • Rosalina da Piedade que foi casada com o Coronel Emygdio [José] Dias de Almeida;
  • José Brasil Paulista da Piedade, casado com Dona Maria Ramos;
  • Albertina da Piedade, casada com o Major Ernesto Trindade;
  • Dona Maria Perpétua da Piedade, casada com Francisco Clementino Gonçalves da Silva, Coronel também identificado por Clementino Gonçalves da Silva;
  • Emygdio [José] da Piedade Filho, Major, casado;
  • Maria da Conceição Piedade, apelidada Sancha, que foi casada com Francisco Antonio Pucci
  • (Certidão de Óbito nº 37, Livro C-3, fls. 144, Cartório Registro Civil Espírito Santo do Turvo, estando entre os seus filhos "(...) uma neta de nome Alzira filha de sua filha de nome Minervina ..." ). Minervina faleceu aos 20/11/1906 (Correio Paulistano, 21/11/1906: 4) e ausente da relação de filhos, assim o também falecido Godofredo. Dos genros e noras, citações de Aloisio de Almeida, Abril/Junho 1960: 55-56 -Volume 247: 2-65).
O Cel. Emygdio marcou época em Santa Cruz, onde ocupou, a seu tempo, todos os principais cargos públicos, por nomeações ou eleições, mesmo aqueles sem remunerações (Aloisio de Almeida 1960: 52-56).
1.1. Suspicácias sobre o coronel deputado
Apesar do tanto que fez por Santa Cruz, Emygdio e familiares meteram-se em rumorosos casos de atuações políticas, em causa de interesses particulares e de envolvimentos em ilícitos.
A família, dona de entreposto comercial em Santa Cruz, tinha interesses em elevar o lugar à condição de freguesia, e assim o fez, em detrimento a São Pedro do Turvo, exigindo do governo paulista uma estrada desde Avaré e Faxina para o fortalecimento do comércio santacruzense, tornando-se, em tese, o empório do sertão. Se a condição de freguesia ocorresse para São Pedro do Turvo, a estrada viria diretamente de Lençóis Paulista para São Pedro, não passando pela urbe Santa Cruz e nem atendendo interesses dos Piedade.
O equívoco histórico transformando a Capela de São Pedro em freguesia a localidade de Santa Cruz do Rio Pardo, em vez de São Pedro do Turvo, teria sido proposital para os interesses da família Piedade, e Emygdio jamais teve votação naquela localidade maior que qualquer outro concorrente, quase sempre o último colocado.
À mesma maneira marcante o Coronel Emygdio, fazendeiro na região de Santa Cruz e Espírito Santo do Turvo, em 1881 procedera ilegal ao adquirir terras devolutas no Vale do Peixe, de Francisco de Paula Moraes – genro de José Theodoro de Souza. Emygdio adquirira a Fazenda Pomba do Futuro, enquanto o filho Augusto César [Cezar] da Piedade a Pomba de Prata (Nogueira Cobra, 1923: 71).
Entretanto, o caso mais rumoroso, sem prévios na história santacruzense e fartamente documentado, teria sido a participação familiar dos Piedade na facilitação da fuga dos presos, irmãos Pedro e Joaquim Fortunato, da Cadeia de Santa Cruz, na madrugada de 03 para 04 de setembro de 1881 (Correio Paulistano, edição de 09/05/1884), atendendo aos interesses do patriarca, nos tempos do Delegado Manoel Cândido da Silva, que apenas procedeu atos de rotina, sem inquérito policial, sindicâncias ou processo administrativo. 
Ao Deputado incidiu, ainda, o roubo de uma novilha pertencente a Salvador José Domingues Melchior (Correio Paulistano, 03/06/1884: 2), assim acusado. 
Até 1884, porém, nenhum processo de qualquer natureza preocupava a família, afora o suspeitoso relacionamento do Coronel com os irmãos Fortunato, capturados em 1878 no município de Santa Cruz, pronunciados cúmplices no assassinato de grupo indígena em Faxina (Correio Paulistano, 04/12/1878: 2), lugar em que a família Piedade tinha interesses. Os presos foram encaminhados para Botucatu, de onde ao lugar do crime e, depois, libertos.
Posteriormente os Fortunato envolveram-se noutro crime, em São Pedro do Turvo (RG, BN 1024, 1879/1880: A 12-23), sendo eles presos e encaminhados à Cadeia de Santa Cruz, de onde lograram fuga:
  • "Evadindo-se da cadêa desta villa os criminosos: Pedro e Joaquim Fortunato em setembro de 1881, o delegado que então corria Manoel Cândido da Silva procedeu o auto do corpo de delito na cadêa, e o delegado Nicolao Barreiros abriu este inquerito, do qual algum tempo depois, de demittido Nicolao, prosseguiu o delegado nomeado Francisco Antonio de Castro, chegando a colher provas." (Certidão datada de 24/04/1884, emitida, a pedido, por José Manoel de Almeida, tabelião do público judicial e notas, de cível e crime – publicação Correio Paulistano, 09/05/1884).
Emygdio, os filhos Arlindo e Godofredo e o genro, alferes João Baptista de Oliveira Mello, seriam os responsáveis pelas evasões dos Fortunato, segundo as testemunhas Francisco de Paula Martins, Salvador José Domingues Melchior e Modesto Pedro Claro; e outros depoentes, ainda, apontaram o Coronel no roubo da novilha de Melchior. 
Com as exonerações dos delegados Manoel Cândido da Silva, Nicolau Tolentino Roiz¨ Barreiros e Francisco Antonio de Castro, "Foi nomeado o cidadão Jacob Antonio Molitor para o logar vago de delegado de policia da villa de Santa Cruz do Rio Pardo" (Correio Paulistano, 07/02/1884: 2).
De imediato à posse, Molitor investiu contra a família Piedade. A autoridade ou posição social do Deputado não meteu medos ao delegado que, então, agilizou os inquéritos policiais, além de revelar aos jornais da capital o envolvimento de Emygdio em negociatas partidárias (Gazeta Liberal, 10/04/1884, apud citação de Augusto Piedade – 21/04/1884, pelo Correio Paulistano 04/05/1884: 2-3).
O Deputado acusou o golpe, e devolveu a rês que teria sido roubada, informando que a mesma se encontrava em sua propriedade, por ordem do dono, em pagamento de dívida. 
Da tribuna da Assembleia, Emygdio procurava desqualificar o algoz e pedia providências do governo provincial para sua exoneração, além de incumbir o filho Augusto para revidar, acusar e desacreditar o delegado Molitor, em publicações na imprensa paulista e denúncias à chefatura de polícia. 
Molitor chegou a dar voz de prisão a dois filhos de Emygdio, defronte à residência deste, em Santa Cruz, acusados da facilitação para a fuga dos presos, ação retirada e transformada em intimação, a pedido de cidadãos e políticos presentes. Na ocasião Molitor teria destratado publicamente o Deputado.
Apesar de influente, Emygdio Piedade não conseguiu a exoneração de Molitor e nem sensibilizou a Promotoria Pública. O governo provincial em mãos dos liberais, procedia conforme a vontade regional do Deputado Tito Correa de Mello, e o Molitor permanecia intocável. 
Apenas em 1885, quando os conservadores assumiram o governo provincial, Molitor foi exonerado dos cargos públicos ocupados, um alívio para a família Piedade, e então, no mesmo ano extinguiram-se os processos crimes e encerrou-se o administrativo, que apontava o soldado José Sebastião Domingues conivente com a fuga dos presos (RG BN 1030, 1885/1886: A 7-15), sem menção aos responsáveis pela guarda da cadeia, Antonio Meirelles da Silva e Antonio Nogueira, ou validação da confissão do preso Joaquim: "Della evadimos, é certo, mas o fizemos levados pelos conselhos e auxillios de Carlos Alves de Campos, que proporcionou-nos os meios para isso precisos" (Correio Paulistano, 09/05/1884: 2).
Joaquim Fortunato mudaria seu nome para Joaquim Messias Dutra.
De outro acontecimento, trata a história regional que, em 1893, o Coronel Emygdio José da Piedade teria desviado recursos públicos, quando no Comando Superior da Guarda Nacional e à frente dos paulistas na Revolução Federalista.
Na ocasião teria Emygdio apresentado o coronel campos-novense, Francisco Sanches de Figueiredo, ao Governador de São Paulo, sob a argumentação do temor "que os sertões do Paranapanema viessem a soffrer com a invasão das tropas federalistas" (Nogueira Cobra, 1923: 118-119), conquistando grande soma em dinheiro e dezenas de carabinas para guarnecer as sentinelas do lado paulista nos pontos julgados vulneráveis.
Finda a Revolução, sem nenhum tiro oficialmente disparado, o Coronel Sanches guardou para si as carabinas e munições, e do dinheiro recebido, sessenta contos de réis, prestou contas apenas da metade que afirmou ter recebido, todavia contestado pelo advogado Nogueira Cobra: 
  • "E os outros trinta onde foram parar! Na algibeira do portador do cheque que, em companhia do destinatário da quantia, foi recebel-a no banco. O chefe político de Campos Novos dizia que achou exquisito o caso, mas não teve remédio senão concordar com a divisão a meio, pois que o sócio era graúdo, cujo nome declinava; contra esse, cousa alguma podia fazer" (Nogueira Cobra, 1923: 120, nota 1).
O Coronel Emygdio José da Piedade seria o 'sócio graúdo'.

2. Cel. Joaquim José Botelho
Até 2010 um dos nomes esquecidos da política santacruzense, Joaquim José Botelho, foi o primeiro representante e chefe político do Partido Liberal em Santa Cruz, vinculado ao Coronel Francisco Dias Baptista, líder político em todo município de Lençóis Paulista. 
Sob sua liderança de Joaquim José Botelho, em 1876 o Partido Liberal disputou e perdeu a primeira eleição municipal santacruzense.
Em 1878 Joaquim José Botelho foi nomeado Subdelegado de Polícia (Diario de S. Paulo, 16/02/1878: 1), assumindo em São Pedro do Turvo.
Aos 13 de julho de 1879 Botelho estava à frente dos liberais santacruzenses presentes numa reunião em Rio Novo, Avaré, em apoio político ao Capitão Tito Correa de Melo, de Botucatu, e ao advogado lençoense Dr. Francisco Martins da Silva (A Constituinte, 01/11/1879: 3). 
Botelho foi Agente de Correio, no lugar do exonerado Coronel Emygdio José da Piedade, porém exonerado aos 16 de novembro de 1880 (Correio Paulistano, 19/11/1880: 2), quando não se apresentava mais como o prestigioso chefe político, praticamente sem importância na vitória do Partido nas eleições municipais de 1880. 
Seu nome, no entanto. ainda tem importância em 1883 ao encabeçar a lista de abaixo assinados dos cidadãos que pediam às autoridades a instalação de Comarca para Santa Cruz do Rio Pardo (ALESP, PR 84_006-007, documento de 25 de setembro de 1883), que igualmente contou com a atuação do Deputado Emygdio José da Piedade. 
Joaquim José Botelho, casado com sua parente Maria Bárbara de São José – filha de José Botelho de Souza e Luiza Thereza de Jesus, enviuvado casou-se com outra aparentada, Maria Cândida de São José. Em sua vida privada teve propriedades e vínculos em São Pedro do Turvo, porém celebrizou-se chefe político liberal em Santa Cruz, tido cidadão honrado e elogiado até pelos conservadores (Correio Paulistano, 10/04/1884: 1-2 – por referência), daí, certamente, sua queda.

3. Joaquim Manoel de Andrade
Foto atribuída ao pioneiro Joaquim Manoel de Andrade - anterior a 1891
- domínio público -
.
Quando da qualificação administrativa para Santa Cruz, como freguesia em 1872, Joaquim Manoel de Andrade destacou-se líder, e seu nome, desde então, a ilustrar os principais cargos, por eleições ou nomeações. A história identifica-o respeitável cidadão, religioso prestante, fazendeiro, criador de porcos, dono de serraria, capitalista e escravagista.
Andrade nasceu em Pouso Alegre (MG), em 12 de novembro de 1825 e batizado aos 20/11/1825 (Eclesial), filho de João Bernardino da Silveira e dona Bernardina Jesuina de Santa Catarina (Projeto Compartilhar, pesquisa de Paola Dias, Cap. 4º – Ângela Pires de Moraes: 9.8). 
Joaquim Manoel de Andrade apresentou-se no sertão paulista, com dois irmãos identificados, Messias José de Andrade e Manoel Joaquim de Andrade, sendo Messias José pioneiro no Turvo/Alambari, enquanto Manoel, associado a Joaquim, adquiria uma fazenda de campos e matas, aos 19 de dezembro de 1851 (Pupo e Ciaccia, 2005: 136-E 30 e Mapa), na qual inserida a povoação de São Domingos.
O sócio e irmão Manoel seguiu rumo para Lençóis Paulista, enquanto Joaquim iniciou história santacruzense em 1870/1872, como rico fazendeiro, conhecido primo-irmão do homônimo desbravador no Turvo e Capivara, e do pioneiro-mor José Theodoro de Souza, sendo irmãs as mães dos três, respectivamente Bernardina Jesuína de Santa Catarina, Mariana Rosa da Assunção e Maria Teodora do Espírito Santo (Projeto Compartilhar, Família Bernarda Maria de Almeida). 
Andrade se tornou importante nome na história local, de 1872 a 1891, elegido o 1º Juiz de Paz de Santa Cruz, em 1875 – pleito anulado em 1876, depois eleito vereador em 1876 para a primeira legislatura (1877/1880), consagrando-se como o primeiro Presidente da Câmara, e reeleito para o cargo em outras oportunidades disputadas. Em 1884 integrou o Rol de Ilustres, pela Câmara Municipal, ofício de 12 de novembro de 1884, para compor a comissão responsável pelas obras da Igreja Matriz. Respondeu, ainda, por cargos púbicos em nomeação: Delegado de Polícia – 1877 (Diario de S. Paulo, 25/11/1877: 2), Coletor de Rendas – 1879, e, designado Presidente do Conselho da Intendência Municipal – 1890 até sua morte em 1891.
Cópia autêntica da Certidão de Casamento
de Manoel Joaquim de Andrade e dona
Umbelina Ferreira do nascimento
Joaquim Manoel de Andrade casou-se com Umbelina Maria de Jesus ou Ferreira do Nascimento, em São João do Jaguary - atual São João da Boa Vista - SP, aos 09 de novembro de 1845 (Curia Diocesana de São João da Boa Vista, Matrimônio, apud Henrique Dias da Silva Junior - pesquisador/historiador - Assis-SP, CD: A/A 05/09/2017), sendo ela nascida em Pouso Alegre - MG, onde batizada aos 12 de maio de 1833, com a idade de 13 dias, (Batismos, Livro 1825/1837: 285, https://www.familysearch.org/), filha de Manoel Antonio Rodrigues e Maria Ferreira, sendo testemunhas do casamento Domiciano José de Andrade e Manoel Antonio Rodrigues. O casal teve os seguintes filhos conhecidos na história santacruzense: 
-Manoel (Batismo: Botucatu, 30/07/1853); 
-Theodora (Batismo: Botucatu, 04/09/1858);
-Joaquim (Batismo: São Domingos, 05/02/1860); 
-Antonio (Batismo: São Domingos, 01/09/1861); João (Alistamento Eleitoral: SCR.Pardo, ano 1890, nascido por volta 1862); 
-Silvestre (Matrimônio: SCR.Pardo aos 31/10/1891, nascido por volta de 1868); 
-Pedro (Alistamento Eleitoral: SCR. Pardo, ano de 1891, nascimento 1869); 
-Benedito (Batismo: SCR. Pardo, 26/01/1873). 
-Thereza (Batismo: SCR Pardo, nascimento em 1875). 
Andrade faleceu aos 26 de dezembro de 1891, com a idade de 66 anos, em plena atividade política, como Presidente da Intendência do Município, e seus despojos acham-se sepultados na Igreja Matriz de São Sebastião juntamente com os de sua mulher, Umbelina Maria de Jesus, morta em 09 de agosto de 1896. 
Não se tem notícia oficial que o chefe do clã dos Andrades, em Santa Cruz, pertencera à Guarda Nacional; no entanto, uma referência do Padre Andrea Barra em São Domingos, aos 21/02/1858, identifica-o Major e escravagista, na celebração de Missa de 7º Dia pela 'alma do escravo Pae Manoel Thiburcio' (Eclesial, Livro de Batismos, Matrimônios e Óbitos, SCR. Pardo, 1856/1884). 
Noutra alusão foi mencionado como "Capitão" (Correio Paulistano, 17/07/1941: 12), todavia as ausências de referimentos oficiais inviabilizam qualquer assertiva, quando se sabe de três homônimos no sertão paulista da época.
Joaquim Manoel de Andrade teve grande importância na história local e a ele quase tudo se deve na formação do lugar e até transformou-se, nas lendas e tradições, como cofundador de Santa Cruz, o que histórica e documentalmente não procede. 

4. Cel. Marcello Gonçalves de Oliveira 
Nome praticamente desconhecido na história santacruzense, dele se sabia apenas nome dado a uma rua e praça agregada, nesta, depois, substituído o nome.
Resgatada a história, o Coronel Marcello surge identificado como líder político, ocupante de cargos públicos por eleições – vereança e juiz de paz, e nomeações, como Subdelegado de Polícia, Inspetor Literário e Comandante da Guarda Nacional local, nesta com participação na Revolução Federalista de 1892, com envio de voluntários (Correio Paulistano, 18/07/1894: 2 – referências).
Marcello, nasceu em Itapetininga (SP), filho de Antonio Gonçalves de Oliveira e Vicencia de Oliveira Lima, casado com Malvina de Oliveira Machado, na localidade de Lençóis Paulista, em 1º de janeiro de 1879, sendo ela filha de Major Esperidião de Oliveira Lima e Maria Leopoldina de Oliveira, natural daquela localidade. 
D. Malvina era irmã de Dona Leocádia, esposa do Coronel Moyses Nelli (DOSP, 27/05/1919: 3.260).
Fazendeiro em Santa Cruz, o Coronel foi o primeiro nome importante na formação do Partido Republicano Paulista – PRP local, pelo qual eleito Vereador em 1886. 
O advento republicano fez-lhe acontecer o poder até a primeira crise perrepista, optando por resignar-se da chefia política (Correio Paulistano, 10/12/1890: 3), através de carta datada de 26 de novembro de 1890, por se sentir desautorizado politicamente pela demissão do Promotor Público local e o recolhimento do Sargento Comandante do Destacamento Policial de Santa Cruz, e o então Tenente-Coronel João Baptista Botelho assumiu o lugar. 
O Coronel Marcello retornou ao quadro político em 1892, em lugar de João Baptista Botelho, demitido do cargo quando também substituídos os demais membros do diretório local. 
Aos 16 de julho de 1894, o Coronel ofereceu, em sua residência, marcante recepção aos heróis santacruzenses da Revolução Federalista, com as presenças do Juiz de Direito, Dr. Augusto José da Costa, e de outras autoridades. Marcello estava como o ilustre Comandante da Guarda Nacional local, e no ano seguinte, aos 30 de novembro de 1895, seu nome aparecia como 2º Juiz de Paz (O Paranapanema, 30/11/1895: 3). 
Em sessão especial da Câmara, datada de 07 de janeiro de 1896, foi declarado eleito Juiz de Paz (Câmara, Livro Ata). Posteriormente, aos 28 de novembro do mesmo ano, em sessão extraordinária, a Câmara enlutava-se pelo falecimento do Coronel Marcello Gonçalves de Oliveira, e homenageia-o com o nome da Praça onde o Largo 13 de Maio. 
O Coronel deixou bens a inventariar, inclusive no Estado do Paraná, conforme citação de 28 de maio de 1897 (A República, Curitiba - PR, 28/05/1897: 2-3). A ausência de Marcello Gonçalves de Oliveira trouxe a Baptista Botelho nova oportunidade para consolidar-se líder perrepista local.


Os coronéis e mandatários santacruzenses - 02

PÁGINA EM ATUALIZAÇÃO
5. Cel. João Baptista Botelho
Edifício público inaugurado em 1901 pelo Cel. João 
Baptista Botelho
Servia de Fórum, Câmara e Quartel (Delegacia e Cadeia)
Do que se conhecia sobre João Baptista Botelho quase tudo se sustentava nas combinações publicadas pelo hebdomadário Correio do Sertão e nas tradições, com mínima consistência histórica.
Documentos levantados revelam o Coronel e seu tempo, sendo ele nascido em Lençóis Paulista, aos 27 de dezembro de 1856 (Correio do Sertão 12/07/1902: 1), filho de João Botelho de Carvalho e Jacintha Porcina de Jesus.
Os pais de Botelho teriam sido proprietários de terras, por volta de 1850, "No lugar denominado Água Rica, no distrito de Constituição" (Pupo e Ciaccia, 2005: 140 – E 36), atual Piracicaba. Pupo e Ciaccia transcreveram o nome da esposa de João Botelho de Carvalho como Jacintha Pereira do Amor Divino, sendo possível entendimento, no manuscrito, o sobrenome Pereira em vez de Porcina, podendo, no entanto, tratar-se de homonímia.
João Botelho de Carvalho, pai do Coronel Botelho, sendo ou não aquele residente em Piracicaba, era filho de Joaquim Botelho de Carvalho, casado em segunda núpcia com Maria da Assumpção, sendo esse Joaquim o terceiro filho do patriarca 'açoriano' Francisco José Botelho, casado com Rosa Maria 'de Carvalho' (Carvalho 1998: 77-78).
Rosa Maria era filha do 'madeirense' Lucas Borges de Carvalho e Anna [Maria] Nunes Cardoza, nascida em Jundiaí, conforme assentos batismais de filhos (1776/1799) e netos (1789/1799), em Cabo Verde – MG. 
Quanto a Dona Jacintha, se Porcina ou Pereira, não se sabe a origem, e até Policena lhe foi dado sequente ao prenome (Eclesial, SCRPardo, Livro de Óbitos – 1883/1897: 49-50, 15/02/1897).
No ano de 1851 sabe-se que Antonio Botelho de Carvalho, irmão de João Botelho de Carvalho, participou da saga sertaneja de José Theodoro de Souza (Nogueira Cobra, 1923: 32-33), se direta ou financeiramente não se sabe, e não conhecida qualquer participação de João Botelho de Carvalho na conquista sertaneja de 1850/1851, porém ambos vistos proprietários de terras em São Pedro do Turvo, região que o conquistador-mor reservara apenas para si, familiares e aqueles, estranhos ao grupo familiar, porém de suas maiores intimidades.
João Baptista Botelho, com segurança documental, chegou à região de São Pedro do Turvo em 1873, acompanhando a família sendo o seu progenitor contado entre os "fazendeiros de cana de assucar" (Almanaque da Província de São Paulo (...), 1873: 448), e no lugar residiam outros parentes e, depois, o futuro sogro, Francisco Narcizo Gonçalves, antes comerciante na localidade de Espírito Santo da Fortaleza (Almanaque da Província de São Paulo (...), 1873: 447), atual território bauruense. 
Botelho casou-se com Guilhermina Brandina da Conceição, figurando o casal em testemunhos de casamentos e apadrinhamentos de batizandos, em São Pedro do Turvo, a partir de 1882, quando residente em Santa Cruz no ofício de procurador e intermediário de compras e vendas de terras.
No mesmo ano de 1882 Botelho iniciou destaque político-social quando nomeado 2º Suplente de Delegado de Polícia; depois Membro de Comissão de Obras Públicas, Construção da Cadeia; e Juiz Municipal, como 1º Suplente, em exercício (Correio Paulistano, nomeações publicadas conforme edições 02/08/1882, 28/11/1883 e 09/05/1884, respectivamente), e, em 1885/1886, também na titularidade de Juiz Municipal e de Órfãos, como 1º Suplente (Almanach Província de São Paulo, 1886: 478). Pela mesma fonte, conforme edições anuais seguintes, ocupou as mesmas funções até 1888.
Botelho meteu-se em política, (Correio Paulistano, 23/09/1884: 2), pelo Partido Liberal chefiado por Jacob Antonio Molitor, até o advento da república quando ingressou no Partido Republicano Paulista – PRP, chefiado pelo Coronel Marcello Gonçalves. 
A estrutura fundiária de Baptista Botelho, com cem mil ou mais alqueires de terras (R.SNA, 1903 – II: 98-161), contou com 'grilagens' e avanços sobre divisas, quando no sertão "Havia larga margem para arbítrio na apreciação de cada caso e os legitimantes, por isso mesmo, ficavam à mercê do funccionário encarregado do serviço, sobretudo no ponto referente à cultura effectiva e morada habitual" (Nogueira Cobra, 1923: 91), facultando o denominado 'grilo articulado', com apresentações de documentos antecedentes de algum morador/vendedor arranjado. 
  • "(...) aventureiros agrimensores e legítimos donos das terras disputavam a posse delas, todos em busca da escritura legítima, oriundas das três grandes posses abertas por José Teodoro de Souza, no vale do Rio Pardo, Rio do Peixe e Paranapanema. No mais das vezes, estas disputas começavam nos fóruns das Comarcas recém-criadas e terminavam em terríveis tocaias, quando as sentenças finais vinham das descargas das espingardas e dos trabucos" (Rios, 2004: 27). 
O Coronel Botelho foi homem violento, justificado pelo Correio do Sertão: 
  • "(...) commeteu erros, não ha duvida, mas seus erros tinham uma athenuante: è que elle sendo um homem sem instrucção, atrazado, nascido e creado no cabo do machado, não sabia cercar-se do melhor elemento para governar" (09/04/1903: 2). 
Em torno de Botelho criaram lendas, dentre elas que a ele recorrera João Evangelista da Silva para proteção ao filho, Antonio Evangelista de Souza – o Tonico Lista, que na noite de 10 de junho de 1892 assassinara dois policiais de São Paulo de passagem por Santa Cruz do Rio Pardo. 
Naquela ocasião, revelou Rios (2004: 28), o poder do Coronel mostrava-se contundente: "Ninguém aqui será preso enquanto estiver sob a proteção do Coronel João Batista Botelho. Porque ao nosso delegado falta coragem para ir buscá-lo e a preguiça não lhe permite caminhadas longas." 
No entanto, hoje se sabe, o próprio Coronel Baptista Botelho era o Delegado de Polícia, por Ato de Nomeação do Governo de São Paulo, sendo o seu suplente, Luiz de Oliveira Martins, e Botelho somente deixaria o cargo, a pedido, em agosto de 1894, substituído por Moyses Nelli (DOSP, 21/05/1892: 5 e 04 de agosto de 1894: 4, nomeação e exoneração, na devida ordem).
Botelho assumiu a chefia perrepista uma primeira vez, período de 1890 a 1892, durante a ausência do Coronel Marcello que retornaria ao cargo, ainda em 1892, para nele permanecer até 1896, e novamente Botelho assumiu o lugar, com a morte do Coronel Marcello, para daí manter-se "prestigioso chefe político", até 1901, quando alijado definitivamente do poder.
Publicação referente à Guarda Nacional, "Por decreto de 21 do mez findo foram nomeados: Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo - Commando superior. - Coronel – Comandante superior, tenente-coronel João Baptista Botelho" (DOSP, 10/02/1897: 5).
No tempo do Coronel Botelho, como chefe político, o PRP santacruzense fez eleger e viu reeleito Deputado Estadual (1898/1900 e 1901/1903), o advogado Cleophano Pitaguary de Araujo, pelo 5º Distrito, juntamente com Emygdio Piedade, este já residente em São Paulo desde 1891.
O Coronel Botelho em 1900 dominava a política local, quando aconteceu a decisão do Presidente da República, Campos Salles, romper com os compromissos políticos e quebrar a unidade partidária do estado, ato considerado intromissão e, neste conflito de interesses, o presidente paulista, Rodrigues Alves, apoiou Campos Salles sob a promessa da indicação de seu nome para a Presidência do Brasil.
Dentre as desavenças políticas e administrativas locais, emergiram novas lideranças destacando-se Antonio José da Costa Junior e o genro deste, Francisco de Paula de Abreu Sodré, ambos residentes em Santa Cruz do Rio Pardo. 
5.1. Acontecimentos precedentes à tentativa de suicídio
A ambição de Costa Junior na liderança política local consolidara-se com a chegada de Rodrigues Alves ao governo de São Paulo, em 1900, em detrimento aos interesses do Coronel Botelho, e ocorreu a dissidência. Com a cisão do Partido Republicano Paulista, rápido o Dr. Costa Junior, político habilidoso, detectou os insatisfeitos no grupo 'perrepista' local e assumiu controle do diretório em desfavor do Coronel Botelho, "deposto pelos próprios correligionários de escalão superior" (Rios, 2004: 49-50): 
  • "Aí se iniciara a divisão política santacruzense: fora aberto um fosso entre as duas correntes que até há pouco tempo viviam em harmonia, numa luta que viria separar famílias, amigos, até irmãos. Luta pelo mando, pelo poder, face ao que o adversário político seria considerado inimigo pessoal." (Rios, 2004: 63).
Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, genro de Costa Junior, firmou-se líder local, rompendo com o Coronel Botelho, esquecido que pouco antes, em março de 1900, ele e a esposa haviam batizado a Benedicto, filho legítimo do Coronel e de dona Guilhermina.
O grupo fiel ao Coronel Botelho perdeu as eleições gerais de 1900, e para a história local isto foi desonra ao abatido Botelho.
O prestígio do Coronel Botelho, na dissidência, arruinara-se, e numa última reação confrontou-se diretamente com o grupo Costa/Sodré na eleição municipal de 16 de dezembro de 1901, extremamente violenta, e culminou com a acachapante vitória do grupo rival. 
O engenheiro e arquiteto alemão, Edmundo Krug, a serviço do governo paulista nos levantamentos das bacias hidrográficas, terrenos e aberturas de estradas na região, comentou a violência política santacruzense da época:
  • "Ahi ha pessoas de posição social bem elevada, dizem-me, porem, que justamente houve lutas bem renhidas na epocha da effervecencia política, e tudo porque? pensam os meus leitores, talves, por causa do bem estar do logar? enganam-se si assim julgam: tão hospitaleira é esta terra, mas as fraquezas humanas são sempre as mesmas em todas as cidades, em todas as regiões, em todas as terras: a intellectualidade pretende dominar, quer subir e governar o menos intruido, sabendo geralmente que aquelle quer mandar, ergue ainda mais a cabeça, não se curva; então começa a luta politica, que ahi no interior acaba com brigas e páu, tiros de garrucha e mortes." (Krug, 1925: 2).
Do mesmo assunto, num texto vertido para o alemão, Krug mostrou-se mais contundente:
  • "Santa Cruz desfruta da triste fama de ser uma cidade política, aqui pois a política é uma bagunça maior e mais burra que em outros lugares do sagrado Estado de São Paulo, existem dois partidos os jagunços e os pica-paus que brigam sem parar sem que tivesse logicamente algum resultado que poderia ser útil para a cidade e seus habitantes." 
  • "Briga pessoal e tudo isso faz com que o bem da cidade e suas pendengas está sendo esquecido completamente, só intrigas e chicanas estão na ordem do dia." 
  • "Infelizmente Santa Cruz não está sozinha com a sua política municipal, nos temos muitas pequenas cidades que podem agradecer seus políticos de chegar a lugar nenhum. Os políticos municipais infelizmente são sem exceção tão ignorantes que eles efetivamente não são capazes de diferenciar o certo do errado e por causa disso arruína tudo em vez de juntar as forças e iniciar progressos práticos. Se os jagunços ou os pica-paus tem razão objetivamente isto não é para mim diferenciar."
  • "Praticamente os dois definitivamente não tem razão. Eles deviam ser sensatos antes de ter razão." 
  • (Í Deíne Reise nach dem Salto Grande Don Paranapanema, von Edmundo Krug, 1908, com a tradução do texto pelo Sr. Christoph Donsbach, por gentileza do Vereador santacruzense Rui Sérgio dos Reis, janeiro de 2011).
Matéria jornalística de 1903, pró-Botelho, informava aquela eleição de 16 de dezembro de 1901 como bacanal política:
  • "Indivíduos sem escrupulos repellidos pela opinião publica ou por todos aquelles que têm a felicidade de conhecel-os, tendo um estado maior composto de assassinos, resolveram, como meio de vida, se transformar da noite para o dia em chefes supremos desta terra, como, de facto, se transformaram. Uma vez feitos chefes, precisaram ganhar as eleições do dia 16: d'ahi a soldadesca encarabinada e a capangada engarruchada; d'ahi o atenttado barbaro, selvagem, escandaloso, contra o direito de voto no alludido dia; d'ahi, a espoliação de que foi victima o eleitorado desta comarca." (Correio do Sertão, 19/12/1903: 2).
5.2. Apelações desesperadoras
Perdedor nas eleições de 1900 e 1901, Botelho ainda procurou reverter situações, em São Paulo, para assumir a chefia perrepista, retornando sem realização alguma. A viagem, segundo o Correio do Sertão que ainda o saudava como prestigioso chefe político, teria sido por motivos de saúde (28/11/1902: 3). 
Botelho, afastado do poder, perdeu alguns dos importantes correligionários. O dissidente de primeira hora, Moyses Nelli, renunciou ao cargo de suplente de delegado, no qual o exercente, e colocou-se ao lado dos vencedores para eleger-se Juiz de Paz; e outros companheiros seguiriam o mesmo rumo, e até o Deputado Dr. Cleophano Pitaguary de Araujo, fiel a Botelho, sentia-se constrangido:
  • "S.Exc. manteve comnosco disse-nos francamente que em tudo que se relacionar com melhoramentos e progresso desta zona e, em particular desta localidade, se esquecerá de sua posição de dissidente, que sò manterá no terreno puramente político." (Correio do Sertão, 12/04/1902: 2).
O Coronel tentou compreensão popular, num documento dos dissidentes ao eleitorado, que assinou conjuntamente com o Deputado Pitaguary e João Evangelista da Silva, pai de Tonico Lista, que o PRP dissidente se absteria das eleições para presidente do estado, vaga aberta com a renúncia de Rodrigues Alves, concorrente para a presidência do país: 
  • "(...) declaramos ao brioso e independente eleitorado dissidente deste município que, consoante tal deliberação, não pleiteamos a eleição para presidente do estado" (Correio do Sertão, 10/05/1902: 3). O informativo esclarecia, ainda, a decisão partidária dissidente em não participar das eleições municipais para Juízes de Paz. 
Tal documento, assinado aos 07 de maio de 1902, foi o último ato político e não correspondido de Baptista Botelho, e, a seguir, o advogado e ex-deputado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel assumiu a chefia dissidente, posto declarado inapto o Coronel para quaisquer decisões, inclusive pessoais.
A derrota política associada aos rumores de traição conjugal de sua esposa com Tonico Lista, e o abandono pelos companheiros, levaram o Coronel ao desespero, e, no dia dois de julho de 1902 tentaria suicídio, um tiro no ouvido direito, e, em consequência, vindo a óbito aos oito do mesmo mês, e então toda a pompa de cortejo fúnebre com a presença das mais ilustres personalidades políticas da cidade, da região e do estado, com completa cobertura pelo Correio do Sertão, em sua edição de 12 de julho de 1902, trazendo o rol dos presentes, os destaques e as oratórias.
Documentos e referências 'resgatadas' explicam e informam aquelas e outras causas que levaram o Coronel ao tresloucado ato em pôr fim à própria existência. 
5.3. Grave crise financeira
O Coronel teve problemas sérios com a primeira crise dos cafeicultores em 1901, "difficuldades que vêm de longe, creadas pela crise financeira do paiz, aggravadas neste momento pela baixa do preço do café", segundo mensagem de Rodrigues Alves, de 07 de abril de 1901, ao Congresso Paulista (RG, U 1156, 1901: 5), responsáveis pela bancarrota de muitos grandes cafeicultores na época, na pior crise, agravada sobremaneira pela política deflacionária do Presidente Campos Salles e seguida à risca pelo governo paulista. 
Baptista Botelho atingido pela desordem econômica pusera-se a dissipar seus bens. Publicações em jornais da Capital e até a imprensa local revelavam que algo não lhe ia bem, com anúncios de vendas de algumas de suas importantes propriedades: Fazenda do Dourado, Fazenda da Boa Vista, Fazenda do Salto da Boa Vista, Fazenda Nova e o Sítio das Perobas. As dificuldades financeiras do Coronel eram tantas que, inclusive, deixou dívidas pendentes em seu espólio, por exemplo, a Joaquim José Pinto (Correio do Sertão, 24/05/1902: 3), fazendeiro na Perobas.
5.4. Conflito conjugal
A tradição revela que o Coronel Baptista Botelho e Dona Guilhermina não puderam ter filhos, ousando até que o Coronel seria infértil ou, mesmo impotente, e no registro de seu óbito constou que "não deichára filho algum", conforme declarações do sogro Francisco Narcizo Gonçalves (Cartório Registro Civil, SCR.Pardo, Certidão de Óbito nº 1894, de 09/07/1902 – L.C 4 de 16/03/1902 - 30/12/1903: 136 a. – v).
A despeito de longos anos casado com Dona Guilhermina, pelo menos desde 1880/1882, o casal somente teve filhos identificados após 1895, primeiro a Maria, nascida aos 25 de outubro do dito ano (Igreja Católica, SCR. Pardo, Registro de Batismo nº 323), depois Benedicto, nascido aos 02 de março de 1900 (Igreja Católica, SCR. Pardo, Assento LX – 4323), este falecido em 07 de março do mesmo ano de 1900, conforme Registro de Óbito nº 567, no Cartório Registro Civil de Santa Cruz do Rio Pardo, mas não localizado o óbito de Maria, antes do falecimento do pai, o que evidentemente não a pressupõe viva por ocasião do ocorrido.
Apesar de insistentes conjecturas, não se pode comprovar relacionamento extraconjugal de Dona Guilhermina com Tonico Lista, ou qualquer outra pessoa, contudo, morto Botelho, o então Capitão Lista casou-se 'no religioso' com Dona Guilhermina Brandina da Conceição, aos 17 de julho de 1904, com quem teve três filhos, João (1905), Rita (1907) e Alice (1909), antes do casamento 'civil' realizado aos 18 de novembro de 1913.
5.5. Desvios de dinheiro público ...
5.5.1. Fraude contra o Tesouro do Estado
O Coronel Botelho exercia, por nomeação, o cargo de Coletor de Rendas quando, em 1889, solicitou exoneração indicando como seu substituto o advogado João Castanho de Almeida.
No exercício das funções Castanho de Almeida detectou um rombo contra o Tesouro do Estado, praticado pelo seu antecessor, o Coronel Botelho, denunciando-o ao Governo Campos Salles. A força política do Coronel, porém, prevalecera: 
  • "(...) foi exonerado o sr. João Castanho de Almeida, do cargo de colletor de rendas de Santa Cruz do Rio Pardo, e nomeado para substituil-o o sr. Antonio Olympio de Oliveira Ferraz."
  • "Qual a causa dessa demissão?" (A Nação, folha paulista, edição de 03/09/1897: 1).
A matéria denunciativa prosseguiu: 
  • "O Collector foi demitido porque denunciou a existencia de uma fraude contra o Thesouro do Estado na importacia de 130 contos de réis mais ou menos e na qual esta envolvido um chefe politico dessa localidade [Coronel Botelho]."
  • "O dr. Campos Salles [Presidente do Estado de São Paulo: 1896/1897] que precisa de votos para vencer a sua vaidade e ambição [Presidência do Brasil: 1898/1902] não trepida em prejudicar os dinheiros publicos (será a primera vez?...) e a repartição de um funcionario, entretanto que satisfação o capricho do chefe politico fraudulento." - (A Nação, SP, 30/09/1897: 1).
Apesar do apoio político dado ao Dr. Campos Salles, o Coronel Botelho não resistiu à chegada de Rodrigues Alves ao governo paulista, indicado pelo próprio Campos Salles, o que o levou à dissidência em 1900.
Com a ascensão de Costa Junior e Abreu Sodré à liderança política local, Botelho viu ressurgir o assunto da fraude praticada, e isto teria sido mais um motivo, associado, para a tentativa de suicídio.
5.5.2. Desfalques e desvios de verba pública municipal
Outra causa para Botelho atentar contra a vida, aliada ou não às demais justificações, foram as denúncias sobre desvios de dinheiro público municipal, malversação do erário, dilapidação dos bens municipais, formação de quadrilha, corrupção e exacerbado despotismo.
Botelho era o mandatário político de Santa Cruz quando em 1897 o Fiscal da Câmara, Gaspar Serpa, foi demitido, e cinco anos depois o mesmo Serpa colocaria sob suspeições aquela legislatura, 1897/1898, e a seguinte, de 1899/1901, denunciando desvios de recursos públicos numa indagação sarcástica, sobre as procedências dos bens individuais de cada um deles e, aonde "que os honrados chefes e não menos sérios vereadores guardaram as rendas da camara durante os cinco anos que deixei de ser fiscal"? (Correio Paulistano, 01/02/1902: 2).
A postura de Serpa confirmava as razões que o Vereador e Vice-presidente da Câmara Municipal, Israel Machado, teria renunciado por recusar-se em "assinar folha de pagamento dos funcionários do Município, com diversos nomes fantásticos. (...) examinou e constatou as irregularidades. Jamais voltou, apesar de todo malabarismo dos interessados" (Carta de Israel V. Machado, pela sua família, datada de 28 de setembro de 1960, CD: A/A). Machado fora Intendente em 1896, e quando da sessão de 08 de abril de 1897, pediu renúncia dos cargos de Vereador e Vice-Presidente da Câmara.
A Câmara eleita em 1901, para o triênio 1902/1904, resolveu investigar ambas as legislaturas denunciadas, nomeando duas comissões de investigações, uma interna formada pelos 'Vereadores Salathiel Ferreira e Sá, Antonio Mariano Galvão de Moura Lacerda e Henrique Hardt', e outra externa e independente, composta pelos, 'Coletor de Rendas Públicas, Ismael de Barros, o Delegado de Polícia, Capitão Ezequiel da Silva Guedes, e o industrial em São Carlos (SP) Ernesto Raffaelli, sócio de David Nelli – irmão de Moyses Nelli. 
As duas Comissões apresentaram o mesmo veredicto em março de 1902: Botelho era o culpado de um rombo maior que 10:000$000, dos cofres da municipalidade, e demais acusações imputadas, a ele e ao Procurador da Câmara, Major Firmino Manoel Rodrigues [Roiz¨], sendo que este se recusara entregar às Comissões os livros contábeis e demais documentos necessários a melhor investigação.
Contra Botelho as comissões tentaram, em vão, seduzir o Major apenas cumprira as ordens dadas por Botelho, o Presidente da Câmara e chefe político. Com a negativa Câmara solicitou buscas e apreensões dos documentos na residência do Major Firmino, e que este fosse conduzido coercitivamente perante as comissões, para explicar retiradas pessoais de porcentagens, sobre os pagamentos inexistentes e as ausências de lançamentos, ou mais precisamente, onde estaria todo o montante desviado. O Major evadiu-se e, assim, teria evitado provas documentais contra Botelho.
Algumas publicações colhidas no Correio Paulistano mostravam o cerco a se fechar em torno dos acusados, desqualificando testemunhos e defesas: "Entre a honra e a Privação (01/02/1902: 2); Cartas na mesa (21/03/1902: 2); "Calumnia Abatida" (17/04/1902: 1-3); e Caixeiro Expulso (17/04/1902: 2)." 
O Correio Paulistano em "Como se escreve a História!!!", revelou publicamente relatórios e atas das Comissões de Investigações nomeadas pela Câmara Municipal, conclusos pela culpabilidade de Botelho e de Firmino Roiz¨ (Mala do Interior, edição de 23/04/1902: 2). Estas foram as arremetidas do grupo 'sodrelista', dominante perrepista contra os dissidentes excluídos do poder. 
5.6. Acontecimentos precedentes à tentativa suicida
Os dissidentes, acuados, buscaram justificativas e contra-atacaram os 'sodrelistas', sendo o Correio do Sertão o principal veículo de ofensiva, no entanto Botelho não tinha mais forças nem aliados fortes, e o processo camarário seria remetido ao Judiciário e Botelho entregue à Justiça, onde era Juiz o Dr. Augusto José da Costa, irmão do Dr. Costa Junior e, consequentemente tio e cunhado de Francisco de Paula de Abreu Sodré. Já se previa Botelho condenado e preso.
Ciente do futuro o Coronel Botelho optou por atentar contra a própria vida, aos 02 de julho de 1902, e ir a óbito seis dias depois – 08 de julho de 1902.
O Correio do Sertão não ignorava a perseguição política como uma das causas do suicídio de Botelho, preservando, contudo, a imagem do líder quanto as falcatruas, situação financeira ou algum possível adultério da esposa:
  • "Não tendo deixado escripto algum explicando o motivo que o levou a praticar o lamentável acto de desespero, que causou-lhe a morte, constitue para nòs um mysterio, que talvez ainda seja desvendado. Má posição pecuniaria? Não, porque, segundo estamos informados, é ella das melhores. Alguma molestia incurável? É possível. Loucura? Não; pelo menos nenhum absolutamente nenhum acto praticou anteriormente que tal fizesse crer. Perseguições políticas? Talvez. O que é facto é que o suicídio do coronel Botelho é para nós um mysterio." (Correio do Sertão, 12 de julho de 1902: 1).